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{semânticas de janeiro}

"pensamientos azules para ti" - me han deseado

azul era o som da cruviana percorrendo as persianas da cortina da sala
o gosto do sorvete que você me comprou na sexta também era azul.
as música do sábado, campos harmônicos azulados.
o verde aos poucos foi se tornando azul,
conforme passam os tempos que se contam em cadernos gastos.

não sei como ou quando começou a transcoloração
quiçá foram os tons dos dias e noites olhando pro céu,
sem dizer nada,
insular
ultimamente, não sei falar ou tecer opinião sobre muita coisa pralém das paisagens cotidianas

sem jeito peço licença para adentrar às intimidades azules
estilo é algo que passa do verde pro azul que a gente nem percebe.


azu.lar - vem de universo, é de sistema solar
vem de silenciar, é de luz que aos poucos preenche a sala, o quarto e a cozinha,
e na varanda convida passarinhos à inventarem ninho
é sobre os sons que saem da boca de alguém
quando conta histórias de lugares que nunca conheci
as palavras flutuantes nas che…

parte em II - || vivências de campo ||

era começo de dezembro e eu odiava a natureza (lá pelo dia 4 mais ou menos), mas não distinguia exatamente qual era a natureza avessa:
mais uma vez confirmo a teoria dos lados, os produtos coisa e tal...

odiei com tanta força, tantas vezes,
sem me dar conta, sem fazer cálculos
o que acontece é o seguinte
desde cedo o mundo adverte

-pra pisar nesse chão, só fazendo procissão, pagando penitência,
pra transitar (que é o mesmo que viver),
é preciso armadura de flor
flor de mandacaru pra proteção, e humildade nos olhos,
bom para agrados alheios, amansar assombrações, mulas sem cabeça...
flores no cabelo
sorriso meio de canto...meio dia...meio vivo...meio morto...meia noite...
é no meio da noite que o meio sorriso se disparte, perde propriedade: frágil sacristia

não importa a armadura de flores tão usada para atrair abelhinhas, as quais, depois de produzirem mel, batem asas 3 vezes sobre minha boca e se vão:
outras variedades de flores para outros tipos de mel

o que porto são uns torrões de…

(( descontorno )) de como gestar palavras ou de amar

Imagem
quando penso em escrever, quero que as palavras sejam o mais honestas possível comigo.
não quero dizer o que não disse
e muito menos não dizer o que já disse tantas vezes em forma de eco,
repetição,
das voltas que dou pela casa, de camiseta, ventilador ligado, cantarolando frases de alguma música que acabei de conhecer
escuto, gesto - de gestual ou de procriar
estudo os sinais
é pra ser forte, eu disse
mas não me disseram que nois endurece por dentro enquanto endurece por fora
"a ordem dos lados altera o produto"

já tive medo de odiar, já tive medo de mim mesma, talvez ainda tenha

quando escrevo, quero que as palavras sejam o mais escancaradas possível - comigo.
me deixo em transe,
e quando leio meu auto retrato na forma de verbos, advérbios e adventos,
aquele adjetivo feio do medo me cai bem, cheia de predicados.
as palavras
-as mesmas que me cortam do ventre à garganta feito faca no bucho de tambaqui-
me caem bonitas, cheias de coloridos prosaicos - de vulgar ou de narrati…

-> observações de campo III <-

"que extensão de mim tocou-lhe o avesso?"
h.h.


o café me arrepia "tengo piel de gallina, mi amor"
lembra os fios brancos
nas cabeças dos amigos

venho confundindo
a chave de casa
          com
a chave do trabalho

não entro...
óculos escuros, suor, café na mão

lembrar: a ordem dos lados altera o produto*

lado da porta | lado da história

dos trópicos
só troco a passagem

sempre vale perguntar:
e tu,
visse o verso?

a.n.

*conceito apresentado em {produto} -13 de setembro, 2017

-> observações de campo II <-

pensar em escrever vem me dando enjoo
as palavras me parecem aquela roupa velha
que tantas vezes vesti pra te ver aos domingos
no finalzinho da tarde
desgastadas: a roupa e as palavras

notei dia desses que ela também me apertava
- um pouco mais que de costume -
penso
"acho que engordei"
expandi: corpo e mente em alinhamento
calada, assombrada pelo eclipse

de surpresa, me comprei uma saia nova
florida, estampa um pouco de gringa
me chamaram pra viajar
me cambié  cantarolei entre cascalhos e cajus [naxi em yanomami]

à beira do lago me deito:
saia florida de turista,
boca vazia,
olhos coloridos
pelas flores da saia
as formas dos cajus e mangas
a temperatura das águas
a direção do vento

conforme foi escurecendo,
compreendi que estava em terras mágicas,
outra via láctea
não sei a língua

tento acostumar os ouvidos,
não sei a dança.

era lua minguante
miro usando lunetas nos olhos
compreendo que sou viajante
tenho nos pés e nas mãos
a mesma poeira de todas as existências:

pó de areia::..
pó de estrela::..
pó de gen…